A memória da maior parte dos homens é um cemitério abandonado, onde jazem, sem honras, os mortos que eles deixaram de amar. Toda dor prolongada é um insulto ao seu desejo de esquecer.
(Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano)
A memória da maior parte dos homens é um cemitério abandonado, onde jazem, sem honras, os mortos que eles deixaram de amar. Toda dor prolongada é um insulto ao seu desejo de esquecer.
(Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano)
Odeio a derrota, até mesmo a de outrem [...].
(Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano)
[...] é preciso contar com as decisões do belo desconhecido que existe, apesar de tudo, em cada ser que amamos.
(Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano)
Aqueles sábios esforçavam-se por encontrar seu deus para lá do oceano das formas, reduzi-lo à qualidade de único, intangível, incorpóreo, a que ele renunciou no dia em que se quis universo. Vislumbrava de outro modo meu relacionamento com o divino. Imaginava-me a secundá-lo no seu esforço de enformar e ordenar um mundo, desenvolvendo-o e multiplicando suas circunvoluções, suas ramificações e seus desvios. Eu era um dos segmentos da roda, um dos aspectos dessa força única empenhada na multiplicidade das coisas, águia e touro, homem e cisne, falo e cérebro simultaneamente, Proteu que ao mesmo tempo é Júpiter.
(Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano)
Oxalá reine apenas um insensato em cada século!
(Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano)
[...] burocracia [...]. Conheço o perigo desses exércitos civis: resumem-se, em uma palavra, na instituição da rotina.
(Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano)
Duvido que toda a filosofia do mundo seja capaz de suprimir a escravidão: no máximo, mudar-lhe-ão o nome. Sou capaz de imaginar formas de servidão piores que as nossas, porque mais insidiosas: seja transformando os homens em máquinas estúpidas e satisfeitas que se julgam livres quando são subjugadas, seja desenvolvendo neles, mediante a exclusão do repouso e dos prazeres humanos, um gosto tão absorvente pelo trabalho como a paixão da guerra entre as raças bárbaras. A essa servidão do espírito ou da imaginação, prefiro ainda nossa escravidão de fato.
(Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano)