A luta contra a morte [...] é sempre uma coisa bela, nobre, prodigiosa e digna, da mesma forma que a luta contra a guerra. Mas há de ser sempre uma quixotada sem esperanças.
(Hermann Hesse. O Lobo da Estepe)
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Eu vou ter tanta saudade de mim quando morrer.
(Clarice Lispector, “A hora da estrela”)
O que Joyce chamava ‘o grave e constante no sofrimento humano’ é o tema principal da mitologia clássica. ‘A causa secreta de todo sofrimento [...] é a própria mortalidade, condição primordial da vida. Quando se trata de afirmar a vida, a mortalidade não pode ser negada’
(Campbell, O poder do mito)
Sigmund Freud enfatiza em seus escritos as passagens e dificuldades da primeira metade do ciclo de vida humano aquelas vivenciadas na infância e na adolescência, quan do o nosso sol se aproxima do zênite. C. G. Jung, por sua vez, enfatizou as crises da segunda metade quando, para evoluir, essa esfera brilhante deve submeter-se a descer e desaparecer, finalmente, no útero noturno do túmulo. Os símbolos normais dos nossos desejos e temores transformam- se, nesse entardecer da vida, em seus opostos; pois, nesse ponto, já não é a vida, mas a morte, que constitui o desafio. Portanto, não é difícil deixar o útero; a dificuldade reside em deixar o falo – a não ser, é verdade, que o amargor da vida já tenha tomado posse do coração, situação na qual a morte atrai como a promessa de bênção que era antes representada pelo encantamento amoroso. Percorremos um círculo completo, do túmulo do útero ao útero do túmulo: uma ambígua e enigmática incursão num mundo de matéria sólida prestes a se diluir para nós, tal como ocorre com a substância do sonho. E, rememorando aquilo que prometia ser nossa aventura – ímpar, imprevisível e perigosa -, tudo o que encontramos, no fim, é a série de metamorfoses padronizadas pelas quais homens e mulheres, em todas as partes do mundo, em todos os séculos de que temos notícia e sob todas as aparências assumidas pela civilizações, têm passado.
(Campbell, O herói de mil faces)
” [...] Se não podes restituir-lhes a vida, cala-te, diante da morte não se querem palavras. [...] “. “
(José Saramago, O Evangelho segundo Jesus Cristo)
” [...] a ausência é também uma morte, a única e importante diferença é a esperança. “. “
(José Saramago, O Evangelho segundo Jesus Cristo)