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Arquivo da tag: Deus

Também eu, de fracasso em fracasso, me reduzi a mim mas pelo menos quero encontrar o mundo e seu Deus.
Clarice Lispector, “A hora da estrela”

Meu respeito pelo mundo invisível não ia ao ponto de fazer-me confiar em disparates divinos [...].

(Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano)

Aqueles sábios esforçavam-se por encontrar seu deus para lá do oceano das formas, reduzi-lo à qualidade de único, intangível, incorpóreo, a que ele renunciou no dia em que se quis universo. Vislumbrava de outro modo meu relacionamento com o divino. Imaginava-me a secundá-lo no seu esforço de enformar e ordenar um mundo, desenvolvendo-o e multiplicando suas circunvoluções, suas ramificações e seus desvios. Eu era um dos segmentos da roda, um dos aspectos dessa força única empenhada na multiplicidade das coisas, águia e touro, homem e cisne, falo e cérebro simultaneamente, Proteu que ao mesmo tempo é Júpiter.

(Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano)

” [...] a história de Deus não é toda divina [...]  “

(José Saramago, O Evangelho segundo Jesus Cristo)

” [...] Observa como há, no que ele tem vindo a contar, duas maneiras de perder-se a vida, uma pelo martírio, outra pela renúncia, não bastava terem de morrer quando lhes chegasse a hora, ainda é preciso que, de uma maneira ou outra, corram ao encontro dela, crucificados, estripados, degolados, queimados, lapidados, afogados, esquartejados, estrangulados, esfolados, alanceados, escorneados, enterrados, serrados, flechados, amputados, escardeados, ou então, dentro e fora de celas, capítulos e claustros, castigando-se por terem nascido com o corpo que Deus lhes deu e sem o qual não teriam onde pôr a alma [...] “.

(José Saramago, O Evangelho segundo Jesus Cristo)

” [...] as palavras dos homens são como sombras, e as sombras nunca saberiam explicar a luz [...] “. “

(José Saramago, O Evangelho segundo Jesus Cristo)

” [...] E qual foi o papel que me destinaste no teu plano, O de mártir, meu filho, o de vítima, que é o que de melhor há para fazer espalhar uma crença e afervorar uma fé [...] “. “

(José Saramago, O Evangelho segundo Jesus Cristo)

” [...] Que coisas que nós não sabemos haverá entre o Diabo e Deus [...] “. “

(José Saramago, O Evangelho segundo Jesus Cristo)

” [...] Os peixes réprobos, de pele lisa, aqueles que não podem ir à mesa do povo do Senhor, foram assim restituídos ao mar, muitos deles, mesmo, já tinham ganho o costume e não se preocupavam quando os levava a rede, sabiam que pronto tornariam à água, sem risco de morrerem sufocados. Em sua cabeça de peixes criam beneficiar duma benevolência especial do Criador, senão mesmo de um amor particular, o que os levou, ao cabo do tempo, a considerarem-se superiores aos outros peixes, os que ficavam nas barcas, que muitas e graves faltas esses deviam ter cometido a coberto das escuras águas para que Deus, assim, sem piedade, os deixasse morrer. [...] “. “

(José Saramago, O Evangelho segundo Jesus Cristo)

“[...] a Job o compensou Deus restituindo-lhe em dobro o que em singelo lhe tirara, mas aos outros homens, aqueles em nome de quem nunca se escreveu nenhum livro, tudo é tirar e não dar, prometer e não cumprir.”

(José Saramago, O Evangelho segundo Jesus Cristo)

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